07 a 11 de abril de 2008

Comércio Exterior

Resultados
Alta no setor de máquinas agrícolas

Agronegócio

Recorde no embarque de café
Estudo estima perdas logísticas
Rússia libera carne bovina

Plano Internacional

Bush aguarda posição do Congresso sobre acordo com Colômbia
China: inflação pressiona alta do Yuan


Comércio Exterior

a) Resultados

Empurradas pela elevação sustentada nas cotações internacionais, e mesmo com redução na quantidade vendida, as Exportações do agronegócio brasileiro avançaram 17,8% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo intervalo de 2007, informou ontem a Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura. De janeiro a março, o setor embarcou US$ 13,9 bilhões. Na outra mão, as importações do setor cresceram 49,5%, somando US$ 3 bilhões no período. Como resultado, o superávit acumulado bateu em US$ 10,89 bilhões em 2008 - 11,3% superior aos primeiros três meses de 2007.

O agronegócio superou a performance da balança comercial dos demais setores do país. Os dados apontam um crescimento de 11,6% nas vendas de produtos não-agropecuários com um déficit de US$ 8,05 bilhões para esses setores. Com isso, o agronegócio ampliou de 34,7% para 36% sua participação nas Exportações globais. Em março, as vendas do setor foram responsáveis por 38% desse total. O embargo da União Européia à carne bovina nacional afetou o desempenho dos embarques do produto em março. As vendas de carne in natura recuaram 11%, ou US$ 34 milhões. Ainda assim, o trimestre registrou um avanço de 8,7%, para US$ 1,17 bilhão. No total, o complexo carnes gerou receita cambial de US$ 3,14 bilhões, resultado 30,3% superior ao mesmo período do ano passado. Frango, suínos e perus in natura salvaram o segmento.

As Exportações do complexo soja, no total de US$ 2,24 bilhões, foram 34,8% maiores nestes primeiros três meses na comparação com 2007. Destaque para óleo, que rendeu US$ 520 milhões (148,5%)

b) Alta no setor de máquinas agrícolas

O mercado de máquinas agrícolas manteve sua rota ascendente no mês de março e encerrou o primeiro trimestre com forte aceleração. Produção, vendas no mercado interno e exportações tiveram crescimento expressivo em comparação com o mesmo período de 2007, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). De janeiro a março, foram produzidas 19 mil máquinas, volume 56,2% superior ao do primeiro trimestre de 2007. As vendas internas avançaram 54,6% no período, para 11,1 mil, e as exportações somaram 6,8 mil unidades, um aumento de 40,3%. Em volume financeiro, o crescimento das vendas ao mercado externo foi de 23,5%, para US$ 700 milhões.

O aquecimento do segmento ampliou o número de contratações. As fabricantes de máquinas agrícolas encerraram março com 16,8 mil trabalhadores, número 25,4% superior ao de março do ano passado. Em comparação com fevereiro, o crescimento foi de 1,7

Agronegócio

a) Recorde no embarque de café

As exportações de café do Brasil, o maior produtor mundial do grão, alcançaram uma receita histórica de US$ 4 bilhões entre abril 2007 e março de 2008. Dados divulgados na sexta-feira pelo CeCafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) mostram que foram embarcadas 27,8 milhões de sacas de 60 quilos nesses doze meses.

Em março, a receita foi de US$ 376 milhões, alta de 14,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. Mas em volume, houve queda de 5,7%, para 2,3 milhões de sacas, devido a uma retração nas vendas para a Alemanha.
De janeiro a março deste ano foram exportadas 6,6 milhões de sacas, queda de 3,5% em relação aos três primeiros meses de 2007, de acordo com o órgão.

b) Estudo estima perdas logísticas

O Brasil terá prejuízos de US$ 3,88 bilhões com a precariedade do sistema de transporte que movimentará a safra recorde de 2008. A perda tomará 7,8% da receita estimada para o setor agrícola brasileiro neste ano, quando a renda das exportações (excluídos produtos florestais e complexo carne) deve atingir cerca de US$ 50 bilhões.
Há quatro anos, as perdas com a ineficácia do sistema de escoamento da safra sugaram US$ 2,5 bilhões das exportações. O estudo é assinado pela (Anda) Associação Nacional para Difusão de Adubos, entidade que abriga empresas que trazem para o país todos os anos 70% dos fertilizantes usados na agricultura brasileira.

O cálculo fechado considera os prejuízos com a perda de 3% da safra de grãos na logística terrestre (algo como 4,1 milhões de toneladas entre a fazenda e o porto) e o custo adicional para manter, além do tempo contratado, os navios a espera de um espaço para descarregar fertilizantes ou carregar produtos agrícolas, como soja, milho, café, açúcar e até frutas nos portos da costa brasileira. No primeiro caso, a perda atinge US$ 1,88 bilhão. No segundo caso, a perda alcança a cifra maior, US$ 2 bilhões.

Em 2004, a despesa com tempo adicional de espera de navios em portos era de US$ 1,2 bilhão. O bom desempenho do agronegócio brasileiro só agravou o problema nos últimos quatro anos, período em que o custo com o chamado "demurrage" (nome técnico para a sobrestada dos navios em portos) subiu mais de 60%.

c) Rússia libera carne bovina

Os Estados de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo já podem voltar a exportar carne bovina in natura para a Rússia. A decisão foi comunicada ontem pelo Serviço Veterinário da Rússia ao Ministério da Agricultura. Quarenta estabelecimentos foram autorizados a retomar as vendas. O comércio estava suspenso desde 2005, quando foram diagnosticados casos de febre aftosa nos rebanhos do Mato Grosso do Sul e do Paraná. Agora, a Rússia liberou a exportação em três Estados e em alguns estabelecimentos em Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Tocantins, Rondônia e Santa Catarina. Atualmente, há 158 estabelecimentos habilitados a exportar carnes bovina, suína e de aves para a Rússia.

Plano Internacional

a) Bush aguarda posição do Congresso sobre acordo com Colômbia

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, enviou no dia 6 ao Congresso o projeto de lei que prevê um Tratado de Livre Comércio (TLC) com a Colômbia, em claro desafio aos democratas ,que se opõem ao pacto. "Esse tratado permitirá aos EUA melhorar a segurança em uma região crítica para nós", disse Bush, durante uma cerimônia na Casa Branca. Bush ainda destacou a importância de que o texto seja aprovado antes que o Congresso inicie o recesso de férias (no meio do ano), pois, do contrário, não haveria tempo de levar adiante a iniciativa antes das eleições de novembro. Em uma tentativa de suavizar a oposição democrata, o presidente afirmou que o TLC com a Colômbia contém as questões ambientais e trabalhistas mais estritas em comparação com todos os outros tratados comerciais com os EUA.

Bush indicou que o tratado é similar ao que se aprovou com o Peru, com a diferença de que a economia colombiana é maior e seu papel estratégico, maior. Afirmou, além disso, que a "aprovação da legislação é a melhor forma de demonstrar apoio" para seus aliados. "A não-ratificação deste tratado enviaria a outros países a mensagem de que nossos amigos não podem contar com a ajuda dos EUA", apontou Bush.

b) China: inflação pressiona alta do Yuanan

A moeda chinesa passou ontem a barreira dos 7 yuans por dólar, em mais uma indicação de que o aumento de seu ritmo de valorização se tornou um dos principais instrumentos do governo para tentar conter a inflação, que em fevereiro atingiu o mais alto nível em quase 12 anos. O yuan fechou em 6,992 e acumula alta de 4,5% em relação ao dólar em 2008, porcentual que equivale a quase dois terços dos 6,9% registrados em todo o ano passado. Desde que a China abandonou o regime de câmbio fixo, em julho de 2005, a moeda local ganhou 18,4% em relação à americana.

Puxada pela alta dos alimentos, a inflação atingiu 8,7% em fevereiro, depois de ficar em 7,1% no mês anterior. Na próxima semana, será divulgado o índice de março, que deve ser superior a 8% (no acumulado em 12 meses). A disparada de preços torna pouco provável o cumprimento da meta de 4,8% fixada pelo governo para o ano inteiro de 2008. O combate à inflação se tornou o principal objetivo de Pequim, uma vez que as remarcações afetam principalmente a população mais pobre e são um poderoso foco de instabilidade social. Mas as autoridades sabem que as medidas para segurar a inflação não podem impedir que a economia cresça ao menos 8% ao ano, considerado o nível mínimo para geração dos 10 milhões de empregos de que a China necessita a cada ano.

A valorização do yuan ajuda no combate à inflação ao reduzir o preço dos produtos importados e diminuir o superávit comercial da China, uma das principais fontes do aumento da quantidade de dinheiro em circulação na economia, apontado por muitos especialistas como a origem das recentes remarcações.

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